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No início da década de 1950, os carros esportivos europeus faziam muito sucesso, graças ao design arrojado e ao desempenho, muito superior aos pesados carros americanos da época. Em 1951, a Nash Motors começou a vender, nos Estados Unidos, um carro esportivo de dois lugares chamado Nash-Healey, feito em parceria com o estúdio italiano Pinin Farina e o engenheiro britânico Donald Healey. A aceitação foi excelente, o que se traduziu em ótimas vendas, apenas limitadas pelo alto preço do carro.
Nesse período a General Motors atravessava um momento crítico, tendo sua rival, a Ford, superado suas vendas na América do Norte por dois anos consecutivos. Os diretores do grupo sabiam que tinham de pensar em algo para retomar o crescimento. Tom Keating, executivo geral da Chevrolet, tinha em mente um novo carro para a colocar de volta à primeira posição no mercado. Para tocar o projeto foram chamados, Ed Cole, engenheiro chefe de motores da GM, Maurice Olley, especialista em chassis e o designer Harley Earl, responsável por criar a "cara" do novo modelo. Em junho de 1951 era iniciado o projeto Opel, um carro esportivo de dois lugares baseado em carros de corrida europeus. O protótipo EX-122 chamar-se-ia, a princípio, Korvette, palavra homófona de Corvette (corveta), em referência à pequena e veloz embarcação de escolta da Marinha inglesa. Mais tarde optaram pelo nome Corvette, pelo fato da grafia possuir um aspecto mais harmonioso. O resultado foi apresentado ao público no hotel Waldorf Astoria, onde ocorria o General Motors Motorama de 1953. No dia 17 de janeiro daquele ano, os americanos conheciam o primeiro modelo do Corvette. A surpresa foi inevitável. Era um carro diferente dos padrões americanos: pequeno, baixo, com visual limpo e esportivo. Embora baseado em esportivos europeus, possuía traços do desenho americano: como lanternas na ponta de um pequeno rabo-de-peixe. O modelo exposto possuía carroceria branca com o interior revestido de couro vermelho. O pequeno conversível trazia, sob o capô, um motor de 6 cilindros em linha com 150 cv acoplado à transmissão automática Powerglide de 2 velocidades. Para alimentá-lo três carburadores de corpo simples injetavam a gasolina diretamente nos cilindros. Em comparação com os automóveis esportivos britânicos e italianos da época, o Corvette era bem menos empolgante. A ausência de um bom câmbio manual e o baixo torque refletiam-se nas arrancadas lentas e na baixa velocidade final. O problema foi resolvido em parte, com a opção de se acrescentar um compressor centrífugo Paxton (vulgo turbocompressor), melhorando consideravelmente o desempenho em linha reta. As vendas começavam a diminuir. O Corvette estava fadado ao fracasso, não fossem duas ações tomadas pela diretoria da GM. A primeira foi a introdução, em 1955, do primeiro motor V8 da Chevrolet desde 1919, e a segunda foi a influência de um imigrante soviético (quem diria... um "russo" salvando os empregos de dezenas de americanos) no departamento de engenharia da GM. Zora Arkus-Duntov, trabalhou muito para colocar o novo motor de 4,3 litros (265 polegadas cúbicas), aliado a uma transmissão manual de três velocidades no pequeno carrinho. O antes anêmico Corvette agora esbanjava vitalidade. Embora não faça parte do projeto original, Arkus-Duntov foi decisivo na criação da nova imagem do carro (alto desempenho e esportividade), o que fez com que se tornasse, em 1956, o diretor de alta performance da Chevrolet. Dessa forma, Zora ganhou a alcunha de "Pai do Corvette". Outro fator fundamental para a sobrevivência do Corvette foi, por incrível que pareça, o lançamento de seu concorrente direto. A Ford apresentou, em 1955, o Thunderbird, que também tinha dois lugares, mas foi apresentado ao público como um "carro pessoal de luxo" e não como um esportivo. Apesar disso, o risco de perder mercado, fez com que a GM trabalhasse ainda mais na aceitação do "vette". Com produção limitada (apenas 300 unidades) devido ao fato de que todos eles foram construídos e montados à mão, o Corvette 1953, é hoje o mais raro e mais procurado dos modelos fabricados. Somente os modelos 1953 e 1954 possuem o motor de 6 cilindros em linha, também conhecido por "Blue Flame" (chama azul). A partir de 1955, todos traziam o V8, exceto pelas 7 primeiras unidades fabricadas naquele ano. Além do motor, o modelo 1955 pode ser diferenciado pelo seu logotipo - o "V" no Corvette é alargado e apresentado na cor dourada, significando o motor V8 sob o capô. A partir de 1956, ele começava a mudar de aparência. Curiosidades: O emblema original do Corvette trazia uma bandeira americana, mas foi alterado bem antes da produção, pois os americanos detestam associar a bandeira a qualquer tipo de produto. O mais velho Corvette de produção existente no mundo é o de número de série E53F001003. Este modelo foi usado como "mula" (carro de testes) pois foi o terceiro a sair da linha de montagem em Flint e é conhecido como "double-o-three" por entusiastas e colecionadores. Foi vendido no dia 21 de Janeiro de 2006, durante um leilão feito pela casa de leilões Barrett-Jackson, em Scottsdale, Arizona por US$ 1.000.000 (Um milhão de dólares). No entanto, o mais antigo existente é o protótipo EX-122, construído à mão e mostrado ao público em 1953, durante o GM Motorama daquele ano na cidade de Nova York. Este carro pode ser visto no Atlantic City Showroom e Museu de Kerbeck Corvette. Outro destaque é o Corvette 1953 que pertenceu ao ator John Wayne. O Vin # 51, como foi apelidado, foi entregue à Wayne, em 7 de outubro de 1953. Está atualmente em exposição no Museu Nacional de Automóveis (anteriormente Harrah's Collection), em Reno, Nevada, EUA. |
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